Entrevista por email a - Jorge Machado

Jorge Machado já é uma figura incontornável do karate Nacional, entre as inúmeras provas que venceu no decorrer de 2009, é de salientar o título de Campeão Nacional Karate Shotokan Sénior. Podem consultar aqui o seu palmarés.

STD - Boa tarde. Fala-nos um pouco sobre ti, de onde és, porque decidiste praticar Karate, com que idade começas-te?

JM - Boa tarde. Eu sou natural de Caldas de Vizela, depois passei por Lisboa, Lordelo e vim parar a Vila das Aves. Quando cheguei a Vila das Aves o meu pai pôs-me no atletismo, mas depois acabei por ir para o futebol, como quase todos os miúdos da minha idade. Pouco tempo depois, certamente devido à minha qualidade futebolística (lol), o meu pai levou-me para o Karate e aqui estamos 13 anos depois. Não me arrependo nada, acho que fiz a escolha certa para mim, embora na altura só achava piada ao Karate porque queria fazer como o Bruce Lee e o Van Damme.

STD - O karate de competição é mais motivador que o tradicional?

JM - São sensações diferentes. No meu entender o primeiro não subsiste sem o segundo. Creio que para se ser um atleta competitivo são necessárias boas bases tradicionais para suportar toda a exigência técnica da competição. Por outro lado, a competição não vai continuar toda a vida, apenas o Karate tradicional vai lá estar quando acabar toda esta emoção. Agora, é verdade que não há nada mais motivador, emocionante e estimulador que competir, entrar dentro dum tatami e tentar fazer, ser e dar o melhor de nós.

STD - Pelo que pude perceber os torneios em que entras, não dependem exclusivamente da Associação que representas. Nesses casos a Associação incentiva (moralmente) a participação dos atletas nesses torneios?

JM - Existem vários tipos de torneio e campeonatos. Os torneios e campeonatos internos, nos quais vou a representar o meu Clube: Karate Shotokan de Vila das Aves. Os torneios e campeonatos internacionais, nos quais vou ao serviço da Selecção Nacional. E os Opens Internacionais, que são uma espécie de Taças do Mundo no Triatlo, em que vou competir em representação do País mas aí tenho de ser eu a pagar todas as despesas, a Selecção não financia essas deslocações. Ora tendo em conta que lá se encontram os atletas de Top, e é lá que se faz a rodagem para os Campeonatos da Europa e do Mundo, não admira que quando vá directamente aos Mundiais e Europeus, seja mais difícil para mim adaptar-me ao modelo de combate internacional, digamos que tenho de entrar no “comboio em andamento”, daí necessitar de patrocinadores para poder ir a estas provas da Golden League e evoluir.

STD - Ser treinado por uma pessoa como o Sensei Joaquim Fernandes, é meio caminho andado para ser vencedor, não só no karate, mas também como pessoa.
Em todos estes anos que já tens de atleta, que ensinamentos podes
 descrever que tenham sido importantes no teu dia a dia?

JM - Claro que sim. A nível competitivo basta ver os resultados e atletas que já formou. É uma pessoa que procura estar sempre actualizado, acompanhando sempre a evolução que o Karate tem tido ao longo dos anos. Foi grande e notória a influência que teve na minha pessoa, tanto o Mestre como o Karate. Era um miúdo malandro, rebelde e nada concentrado. Hoje penso que sou precisamente o contrario, com uma dose certa de malandrice e rebeldia ;). A verdade é que é impossível dissociar o Karate às minhas conquistas fora dele. Sempre me ajudou a ser um rapaz mais calmo, mais maduro, a lidar com a pressão de forma diferente, a saber perder, vencer e lutar pelo que quero. Digamos que começar nisto aos 10 anos e continuar até agora, era impossível que o Karate não me ensinasse valores que muito útil foram na minha vida, e certamente continuarão a ser.

STD - Suponho que os patrocínios que necessitas sejam para poderes participar em torneios a nível indivídual, sendo assim, já procuras-te pedir apoio junto da Câmara Municipal? Para que te possam colocar no mesmo patamar de outros desportos, o caso do Armindo Araújo serve de exemplo, é patrocinado pela C.M. de Santo Tirso.

JM - Já me passaram pela cabeça muitas coisas, mas não me posso esquecer que faço parte de um clube, e o todo é sempre mais importante que a parte. A Câmara e várias empresas já ajudam o Clube, e eu não considero que seja justo procurar canalizar esses fundos apenas para uma pessoa. Os patrocínios que preciso são para os Opens, que anteriormente expliquei, e sendo que o Clube a nível interno já paga praticamente tudo, e tem mais atletas que querem alcançar o mesmo que eu, não posso hipotecar essas hipóteses deles procurando/exigindo que o Clube, a Câmara ou demais patrocinadores do mesmo, me paguem essas idas. Daí, procurar um patrocinador só para mim, alguém que me possa ajudar nessas idas e assim poder realizar esses objectivos, sem hipotecar os sonhos dos mais novos.

STD - O facto de já teres sido Campeão Nacional várias vezes, as participações em Campeonatos Europeus e Mundiais, fazem de ti um atleta de alta competição, de elite. Sentes de algum modo que devia haver mais apoios das entidades Municipais e Nacionais a este tipo de atletas?

Ajudar este jovem atleta, a conseguir levar o nome do nosso Concelho e do nosso País, cada vez mais longe, é uma tarefa que aos olhos das empresas pouco custo trás. Entrem em contacto através  dos seguintes emails:

jmachadokid@hotmail.com


jm.karate@hotmail.com



Também podem fazê-lo pelo nº:  933511347

.

JM - Eu penso que o apoio devia existir sempre. Depois, é claro que consoante o desempenho, este deveria ser aumentado e dever-se-ia dar mais valor ao que se faz, além do Futebol. É irónico porque muitas vezes tenho conhecimento directo que treino mais que muitas equipas de futebol, mas ninguém valoriza ou liga a isso. Também sei que o futebol tem outra projecção e que, por exemplo, no meu caso sendo um atleta de uma modalidade amadora e ainda para mais pedindo um patrocínio individual, um clube de Futebol ou Futsal sempre tem mais jogadores que eu. Mas eu pergunto, aqueles clubes das “Terras” e provavelmente até as terceiras divisões, aparecem nos jornais, dão na Tv, levam o nome do Concelho, da Vila além Fronteiras, têm atletas ao serviço das selecções nacionais, etc etc?! Posso ser um atleta individual duma modalidade amadora, mas no meio do Karate, penso que já conquistei o meu espaço e sou conhecido e admirado. Fora dele, também penso que já me conhecem e valorizam o que faço, por isso pergunto o que será mais rentável: apoiar mais uma equipa de futsal, que joga por esses campos desconhecidos e constituída por carolice por um grupo de amigos, ou um atleta que todos os dias luta para chegar mais longe e só não leva isto como uma profissão porque não pode?! Talvez seja algo em que os nossos Empresários devam reflectir.

STD - De que modo um patrocinador poderá ter retorno ao ajudar um atleta de alta competição?

JM - No meu caso penso que o retorno será fácil. Primeiro porque o investimento não é de todo avultado, logo por aí será um encargo pequeno para a empresa. Depois as novas tecnologias permitem que hoje em dia a informação seja mais facilmente divulgada. Prova disso é o meu sítio na Internet, que tem uma média de 80 pessoas por dia ao longo deste ano de actividade. Os próprios “media” cada vez mais acompanham o nosso desporto e prova disso foram as duas vezes que saí no Jornal o Jogo, uma vez no Jornal a Bola, a reportagem na SportTv, a participação no Programa A Volta, tudo o ano passado. Já para não falar que os jornais da terra, para minha felicidade e faço desde já o meu agradecimento, colocam muitas noticias sobre o Karate e felizmente já fiz algumas capas. Portanto, como pode ver, aliando isto, ao facto de dar aulas, de já ter um estágio de competição, de ter vários treinos de selecção ao longo do ano, de percorrer o país de lés a lés para competir e de estar bem inserido na sociedade, parece-me que o retorno estará indubitavelmente garantido. Basta coragem de quem pode ajudar.

STD - Podes dizer-nos exactamente quais as tuas necessidades urgentes a nível de patrocínios, por outras palavras, o que custa patrocinar o  Jorge Machado?

JM - Patrocinar o Jorge Machado custaria 400€/ano, e já me permitiria ir a um Open por ano, talvez 2 com grande esforço e sorte no preço dos aviões. É lógico, que se ajuda fosse maior, mais provas poderia fazer e esse é  o objectivo, mas tudo o que vier é bom por isso seria aquele o valor mínimo que me permitiria, pelo menos ir a um Open/ano. O meu objectivo são 3, mas um é melhor que nada. Com este apoio daria publicidade a uma empresa toda a época desportiva, tanto a nível interno como internacional

STD - Por último, sentes neste momento que os atletas Portugueses dependem demasiado de terceiros, quando na realidade deveriam ser apoiados pelas entidades desportivas e outras entidades públicas?

JM - Sim, isso é uma realidade. Mas também penso que grande parte do Capital está na mão dos Empresários privados e que estes têm obrigações perante a sociedade. Para além de ajudarem, parece-me a mim que ao contribuir para causas como estas estão, não a gastar dinheiro, mas a investir. Em vez de comprarem mais um carro topo de gama ou darem dinheiro para actividades que por si só conseguem angariar mais fundos, poderiam ver e ajudar os jovens na terra que à sua maneira levam o nome da Terra, Conselho e País, mais além. Por isso é que entendo que o investimento privado tem aqui grande importância, pois as câmaras já gastam imenso em questões sociais e na ajuda de famílias mais carenciadas da zona, daí pensar que o Capital privado poderia dar uma resposta mais cabal e contribuir para o que de bom e bem se faz na sua zona de actuação.